terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Uma rapariga simples", até ao fim de Agosto

A pedido de várias famílias, prorrogámos o prazo de entrega das vossas histórias até ao fim do mês de Agosto.


Queremos também o vosso feedback: 15 dias é pouco tempo para ler um conto e escrever uma história? Qual foi a dificuldade que encontraram?


Digam-nos de vossa justiça!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Uma rapariga simples", Arthur Miller


Nessa segunda-feira de manhã, Janice acordou com frio, o que era estranho: parecia que um vento lhe soprava por cima à medida que despertava de um sono profundo, lembrando-se de que era Junho e que na véspera tinha estado calor em Central Park. E abrindo os olhos virada para ele, como de costume, viu que a cara dele estava estranhamente pálida. Apesar de nela ainda persistir o que ela chamava sorriso do sono e da habitual expressão de felicidade nas comissuras da boca. Mas parecia mais pesado em cima do colchão. Percebeu imediatamente e, com horror, levantou a mão e tocou-lhe na bochecha. Era o fim de uma longa história. O primeiro pensamento, como uma queixa contra um erro, foi: "Mas ele só tem sessenta e oito anos".


Medo, sem lágrimas, pelo menos exteriores. Só um golpe na parte de trás do pescoço. A vida dava punhadas.


- Ah! - lamentou-se em voz alta e juntando as mãos levou-as à boca. - Ah! - Inclinou-se para ele, o cabelo sedoso tocou-lhe na cara. Mas ele não estava lá. - Ah, Charles! - Uma certa raiva foi dispersada pela razão. E pela surpresa.


A surpresa permaneceu: toda a vida dele tinha sido qualquer coisa, tinha-lhe dado este homem, este homem que nunca a tinha visto. Ali estendido, era terrível.


Oh, se ela pudesse falar lhe mais uma vez, perguntar lhe ou dizer-lhe... O quê? A coisa que tinha no coração, a surpresa. Que ele a tinha amado e que nunca a tinha visto durante os catorze anos de vida em comum. Apesar de tudo, havia sempre qualquer coisa dentro dela que tentava deslocar-se para a linha de visão dele, como se com um relance de uma fracção de segundo os olhos dele pudessem acordar do seu sono eterno.


Que fazer agora? Oh, querido Charles, o que é que eu faço com tudo o resto?


ler o conto


 


Tema para Agosto (I):


escolhe uma das personagens secundárias e escreve uma história que possa ser integrada no conto original


 


 


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  • O texto deve ser publicado no blog do seu autor até às 24 horas do próximo Domingo, dia 14 de Agosto.

  • Após a publicação o autor deverá deixar um comentário neste post  para que nos possa comunicar a sua participação e comprovar o cumprimento do prazo estabelecido.

  • A lista dos participantes, e links para os respectivos textos, será publicada na Segunda Feira, dia 15 de Agosto.


Dúvidas ? Consulta este post ou deixa-nos um comentário.
E façam o favor de se divertirem com isto !

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ver, ler e escrever

 



Era assim que começavam as histórias da nossa infância, lembram-se? Mas também é assim que muitas vezes gostamos de começar uma história quando queremos iniciá-la a meio, criar algum mistério ou simplesmente não definir o tempo e o espaço onde ela decorre. São três palavrinhas quase mágicas porque nos transportam para um mundo que poderá ou não ser real, para uma história verdadeira ou inventada, com personagens totalmente imaginadas pelo autor ou, pelo contrário, gente de carne e osso com que nos cruzamos todos os dias. Era uma vez desobriga-nos da fidelização à realidade, permite-nos alterar o curso dos acontecimentos, reinventar momentos, descobrir outros pontos de vista ou alterar desfechos de histórias já escritas. Era uma vez liberta-nos a imaginação e prova-nos que não há impossíveis.


 


Na Fábrica de Histórias acreditamos que é possível escrever histórias que perduram na memória sem criar mundos ideais e/ou personagens perfeitas. Acreditamos que todos os dias vivemos situações que podem ser aproveitadas para enredos, que em cada conversa descobrimos formas de pensar e agir que podem alterar a nossa visão do mundo como o conhecemos e que cada pessoa poderá ser a personagem ideal não por ser excepcional mas por ser vulgar.


Acreditamos que a observação do que nos rodeia é um mundo de histórias a descobrir, mas não nos esquecemos das histórias que já foram escritas. Sabemos que é impossível escrever sem saber ler e que é preciso ler muito para saber escrever. Ler os clássicos, ler jornais, ler o que escrevem as outras pessoas que, como nós, apenas gostam de escrever, o que importa é ler, procurar o significado das palavras que não conhecemos, entender as referências, brincar com citações ou vestir a pele do autor. Observar, ler e... escrever, escrever, escrever. Escrever muito e escrever sempre, mesmo quando achamos que não sabemos sobre o que escrever. E depois de escrever, corrigir, alterar e voltar a escrever.


 


Depois de alguns anos a despertar o "bichinho da escrita" a Fábrica de Histórias alterou as suas regras para ir ao encontro do que dissémos anteriormente. Vamos continuar a escolher imagens para que possam explorar a vossa capacidade de observação. Vamos propor-vos também a leitura de alguns contos de autores mais ou menos consagrados que poderão servir de tema, exercício de escrita ou simples inspiração. Para que tudo isto seja possível os temas passam a ser quinzenais: gostaríamos de histórias mais elaboradas e para isso vamos dar-vos mais tempo para escreverem. Por fim queremos que as vossas histórias sejam lidas. Como? Depois diremos...


 


E agora vamos preparar o primeiro tema.

De génio e de louco...

  (palavras para uma imagem) _______________   Chegou o calor, ou pelo menos ameaçam-nos com ele. Está na altura de aproveitar os dia...